quarta-feira, 11 de setembro de 2013

vamos lá a saber


Nota prévia, aqui.

Pelas 749 vezes que já prestei explicações sobre aquela que é a minha profissão, acho que desta vez merece ser escrita, até como terapia alternativa ao enxerto de cachaporra que me apetecia enfronhar ao sr. Arnaut. Ora para quem não sabe o sr. Arnaut é um advogado social-democrata, além disso é um sr. que veste fato e gravata e calça o 46 biqueira larga de ignorância. Como se faz circular pelas redes sociais, este sr. [notem  minha educação, falamos de um 'camelo'] decidiu fazer uma 'queixinha' na SIC Noticias a propósito de uma viagem pela TAP ao Luxemburgo. Viagem essa onde foram, certamente, à volta. Avaliando o apregoar fome do senhor, só pode ter sido. O que nos leva ao ponto seguinte, gente aparentemente instruída tem, como muitos, a percepção de que viajar de avião é, afinal, uma ida ao restaurante. Portanto: pago bilhete, logo tenho uma refeição. Má, claro está. Intragável. Não importa, desde que se coma. E aqui concordo com a maioria, é caro! Há por aí restaurantes a levar mais barato...

Começando do inicio, para os que desconfiam e para os que não sabem, eu sou tripulante da TAP. E sou com muito gosto. Visto uma camisola que muito me fez suar. Sou tripulante da TAP porque de entre 6000 candidatos, consegui passar por todas as etapas que me levaram aos últimos 32 que se sentaram à mesa de formação. Que aparentemente não precisamos. Porque para servir chá e café, bordar uma almofada ou outra, as senhoras do bar ou do refeitório também lá podem ir dar uma perninha, que também têm direito de passear. Aliás, fiz toda uma série de provas que passam por recursos humanos, psicólogos, médicos, técnicos de voo, water and fire drills, e mais houvesse, para que avaliassem a minha destreza para segurar numa bandeja. Faz sentido. A companhia paga-me uma formação exaustiva para que eu saiba, com turbulência severa, equilibrar copos e chávenas de chá. Pois é, não. Ainda assim 80% dessa formação é uma autêntica desgraça, literalmente. É tudo a arder e a cair, é malta a afogar-se, portas que nao abrem, mangas que não insuflam, passageiros que enfartam, enfim, tudo desgraça. Quero com isto dizer, que aquela gente me prepara por dois meses para eu conseguir desenrascar a malta. Pois, diz que pelo menos 50 passageiros são da minha responsabilidade no dia que a coisa der para o torto. Ora, quem leva 50, leva 100, ou não é assim? O sr. Arnault diz que sim. Diz ainda que a segurança não compete a estas bordadeiras, mas sim à tripulação técnica. Ora e porque não? Então no dia que aquilo cair, ele que conte com isso. A tripulação técnica tem todo o mérito e formação, são dos melhores naquilo que fazem, mas esclarecendo, o que eles fazem, é técnico. É tratar do bicho, fazer voar a máquina. E se por alguma eventualidade a máquina falha, também há uma corda para saltar fora [que o cockpit ainda é alto com'ó raio que o parta] e quase de certeza que nenhum dos dois se lembra de vir buscar o sr. Arnaut cá atrás. Primeiro ninguém quer atrapalhar a sua refeição, depois não lhes compete. Compete a mim, compete aos meus colegas, aos tripulantes que hão de estar agarrados aos arraiolos, ou se bobear, a almoçar ou coisa que o valha... E aqui está mais uma lacuna nesta escória que é a malta dos aviões: comem. Só prejuízo. É uma coisa que fazemos quase escondidos, já que incomoda muita gente que na viagem lá atrás para fazer o seu xixi nos encontra a comer, e sentados! Valha-nos nossa Senhora! Uma anormalidade...

Vamos lá nos deixar de merdas e admitir uma coisa: estamos lá para o pior, e com a graça de Deus nosso Senhor, esse é um trabalho que não havemos de ter, até porque se tivermos é chato, e faz chiqueiro e tudo mais. Até lá bordam-se uns naperons e umas toalhas de mesa para o Natal. Ah esperem, nós nem sempre estamos no Natal. Talvez no Ano Novo? Na Páscoa? Também não... Tudo o que passe o próximo mês, é difícil de planear. Não me queixo, mas há que ter noção. Esta é a vida que eu escolhi ter. E se não o fizesse por gosto, hoje seria impensável deixar a minha filha com 8 meses e regressar ao avião. Vou perder muita coisa, muitos Natais, muitas festas de escola, provavelmente o dia em que vai se por de pé ou dar os primeiros passos. E isto dói. Dói como o caraças. Deve ser quase tão bom como um pontapé nos tomates, e eu não os tenho. Mas é o que eu faço. É para isto que sou treinada e é para isto que me pagam. E é também por isto que me dá cabo dos nervos ser um alvo tão fácil. Será que esta gente não consegue ver além do óbvio? [pergunta estúpida: claro que não]. Será mesmo que esperam que eu me ajoelhe no milho porque se gosta muito de vender a ideia de que é o contribuente que me paga, e 'ai que rica vida' que eu tenho? Coitadinhos, e o tuga pagar! Para 'a gente' passear e encher a mula de milhas e hóteis de cinco estrelas. Que é uma atrocidade o dinheiro que nós ganhamos? Não. Não e não, mas que porra! Eu trabalho e sou paga por isso, tenho que pedir desculpa a alguém? Pegando nos pilotos, no pessoal técnico, que é um exemplo claro: esses senhores que investem acima de 60.000 num curso para pilotar um avião comercial, fazem-no porque ambicionam ganhar 600€ por mês? Não me parece. Da mesma forma que por tuta e meia eu também não me mandava daqui para fora, não perdia noites, não perdia a rotina normal da minha filha, podia dormir em casa com a família todos os dias, ter sábados, domingos e feriados, ter hipótese de ir à escola dela quando me telefonassem para me chamar porque ela precisa de mim... Mas não posso. Não posso porque alguém tem que fazer o que eu faço. E por esse motivo, não fico a dever nada a ninguém por ser paga para trabalhar. E alguém tem que saber 'segurar a asa'. Eu sei servir refeições e abrir garrafas de vinho, mas também consigo ser psicóloga, médica, comercial, enfermeira, bombeira, fuzileira [ninguém imagina o que é difícil subir uma manga dentro de água], sei usar um desfibrilhador, sei me mandar dali abaixo, sei onde está quase tudo no avião que me permita sobreviver, e melhor, sei fazer isto tudo de saltos altos e ainda levar o pessoal do que lá vai jantar comigo. Não sou nenhuma heroína por isso. Sou só profissional, faço aquilo para que fui contratada. E só. Sendo que o 'só' é tudo o que não se vê. Aliás, temos casos de colegas a safar passageiros de paragens cardio respiratórias, temos ciranças a nascer a bordo, convulsões de assustar a moça do exorcista e outros que tais com finais felizes por meras casualidades.Calhou bem, pronto. Porque de facto, não nos compete. Que mania essa a da segurança e pardais ao ninho... Nada como uma catrafada de revistas, um pontinho de cruz e a revista Bimby do mês para decidir o que fazer para jantar. E caso haja tempo, lá servimos uma sandoca, raramente apreciada mas tem que vir. Isto, claro, de barriga cheia que quem não é para comer não é para trabalhar...

A sério? Mas o sr. Arnaut acertou numa [afinal não é estúpido de todo, é só 3 1/4's]: a TAP é uma marca forte. Eu diria muito, muito forte. E façam as vossas contas: somos dois mil e picos tripulantes, que é como quem diz, artesãos de avental, mas a TAP são muitos mil mais. Vamos então vender esta gaita! Vamos lá espetar com 10 mil pessoas na rua, falir o senhor que vive de fornecer cocotes para a companhia, o que vende papel higiénico, os que nos vendem os sacos de enjoo, e outros que tais. Porque, note-se, esta companhia que não faz nenhum e ainda assim é frequentemente distinguida entre as melhores [pffff, imagine-se] emprega e dá trabalho e volume de negócio a muita gente. Mas assim para cima de muitos. Ou então façam as contas pelos zeros, e vejam lá o que acontece à segurança social no dia em que esta cambada toda deixar de descontar.... Pois. Se calhar também fecha. Mas isto é mais do que social e cultural, é humano. A tendência para estupidificar ou não querer ver é defeito da máquina. Os aviões não falham [que a nossa manutenção também é boa à fartasana] já a cabecinha das pessoas é um mimo. A cambada de dromedários que nos governa e nos põe a cabeça a prémio também tem memória curta e inteligência débil. É certo que quem mais fala da TAP são os passageiros da Carris ou da CP, seja, no geral, é quem não anda de avião. O pessoal gosta de se pôr a jeito. Porque é caro e é muito mau. Aliás, já alguém teve hipótese de experimentar o serviço TAP | executive num voo de longo curso? Não comprem. É terrível. É só sopas, saladas, gourmets, e carrés disto e daquilo. Um horror, são talheres que nunca mais acabam...

A ver se agora visto a minha melhor tromba e falo muito a sério: a TAP é uma companhia de excelência, para todo o mundo, excepto para os portugueses. É exímia na qualidade, na segurança, no serviço, até a nossa farda é das mais apreciadas entre as diversas companhias de aviação. Pertence à Star Alliance, eleita a melhor aliança de companhias aéreas por seis anos consecutivos. Temos carradas de pó nos edifícios, tal é o volume de distinções, diplomas e prémios, e garantidamente que não são de futebol de salão. Foi eleita por várias vezes como uma das melhores empresas para trabalhar, dá trabalho a muito mais gente que não só as tripulações de voo, faz com toda a certeza sobreviver muitas outras a si anexas, por prestações de serviços e bens. E por isto, vamos vendê-la? Porque não temos um sandwich que usualmente detestamos daqui ao Luxemburgo ou outro qualquer destino? Comercialmente é muito negativo para a empresa, é um facto, mas será assim tão absurdo compreender que efectivamente existem padrões, normativas e leis a cumprir? Que existem entidades reguladoras com gente esperta à brava só a fazer contas à nossa vida, para ver se a coisa corre bem? Para alguém ligado à politica será, mas aqui cumpre-se. Aqui respeitam-se limites, aqui cumprem-se acordos, aqui existem leis que não podem, mesmo, ser contornadas. E não meu caro senhor, o que fazem 4 não fazem 3. Assim como você inteiro, aparentemente, não faz um. A vigarice até lhe pode ser tão natural como a sede, mas confie, se há coisa que não quer ver aldrabada é a segurança na aviação..

Ju*

21 comentários:

Anónimo disse...

Olá Ju,
Antes demais, gostaria de lhe dar os parabéns pela maneira como defende o seu trabalho. Aliás, nem o considero um trabalho, porque com a forma que defende as cores que veste.. quem dera a muitas empresas que os seus colaboradores falassem como a Ju fala.
No entanto, permita-me que lhe diga que concordei com quase todo o seu texto... Pois é, quase todo até ter chegado a esta frase: "É certo que quem mais fala da TAP são os passageiros da Carris ou da CP, seja, no geral, é quem não anda de avião." ... Cara Ju, eu ando na CP durante a semana, é uma chatice ter que partilhar o comboio com pessoas que não vestem tão bem, que não cheiram tão bem como se estivessem a usar um bom perfume... Mas é a vida. E é por preferir andar de CP que depois ando na Tap quando é altura de passar férias no mês de Agosto ou de fazer os meus city breaks. E sim, já usei o V/ serviço Tap Executive em longo curso. E não. Não é mau. Parece-me sim, exagerado da sua parte, em escrever a frase que escreveu. Hoje em dia andar de avião não é como era há 50 anos atrás, onde apenas as famílias mais abastadas tinham direito e acesso a tamanho privilégio. Digo-lhe que trabalho na área do turismo, e este é cada vez mais acessível a todas as carteiras, tal como a Ju deve de constatar todos os dias em que trabalha.
Com isto, quero-lhe apenas dizer, que fiquei "azul" com a frase que já mencionei. De tal maneira, que a parte mais importante do seu texto... nem tive capacidade/motivação para o ler.
Para finalizar, faço votos que o futuro da Tap seja aquele que melhor defenda os interesses dos colaboradores e todo os serviços que lhe estão associados, dada a economia de escala que desenvolve, do mesmo modo, que espero numa próxima vez não ver uma abordagem tão "minimalista" e infantil sobre as pessoas que andam na CP e na Carris....!
Um abraço,
SBP

Rita Gato disse...

Ora toma lá que já almoçaste!! ;) Este texto dava uma crónica da Visão, ou algo do género ;)

Beijinhooo

Sara Timóteo disse...

Falou e disse. Lindo Joana... lindo ;)

Piscarudas disse...

Caro anónimo/a, eu referi logo após, e em suma, 'as pessoas que não andam de avião'! atenção que em nada visa denegrir a CP ou a Carris, já usei qualquer um dos meios, varias vezes, e a CP oferec enclausure assistência a bordo dos alfas pelo menos... Importante a reter é mesmo que as grandes dissertações, vem de quem menos utiliza o serviço. Grata pelo seu comentário ;)

Piscarudas disse...

Minimalista e infantil? Atenção ao 'miss understanding'. Não existe juízo algum quer às empresas referidas, quer aos seus colaboradores ou utilizadores. Se de facto só reteve isso, releia. Falhou aí a intencionalidade. o segmento visado são os que utilizam outros meios, seja CP, carris, renex, carro, tractor, trotinetes, ou o Sr Armando, como sabe, um bocadinho a pé e um bocadinho andando. ;) Cumprimentos!

Ju*

Luís Farola disse...

Exm.Sr.Anonimo/SBP

A frase acima transcrita por Vossa Excelência teve como menção/entendimento o que a própria Ju já acima também mencionou "o que interessa é o que se tem a reter da mesma frase" ou seja, simplesmente, "grandes dissertações, vem de quem menos utiliza o serviço"!

Ora, se a parte mais importante do texto "nem tive capacidade/motivação para o ler" o porquê da sua intervenção digna de fica "azul" de a ler???!!!

Mais ainda, a frase sobre o serviço TapExecutive que a autora do texto escreveu, foi no sentido da ironia!!! Se lesse o resto do texto, talvez, percebesse...

E nada de abraços sff (não nos conhecemos nem privamos para tamanho privilegio para si...)

Cumprimentos e votos de uma contínua aprendizagem com pessoas como a "Ju" que "ainda" vestem as cores da empresa onde trabalha.

Luís Belchiorinho Farola

Luís Farola disse...

"Ju"

Melhor é impossível... É por existiriam pessoas assim como tu que "ainda" vale a pena vestir as "cores"... Beijos muitos e continuação de um bom trabalho...

Ahh!!! E bons voos... ;)

Anónimo disse...

Não sei quem é o Sr. Arnaut nem quero saber, mas pelo que li a formação que lhe deram na TAP ainda serviu para aprender alguma coisa. A ganhar muito menos, ou nada, está muita gente com mais formação que a sra a trabalhar por muito menos, ou desempregada, pessoas que trabalham por turnos sem fds ou feriados e não ficam dois dias sem fazer nada em hotéis de 5 estrelas nos voos intercontinentais e um dia nos voos europeus. Espero que pelo menos faça as costuras nesses dias. Mas pelos vistos essa profissão é realmente muito má porque "só" houve 6000 candidatos ... e nem quero falar do dinheiro que ganham, dos dias de folga e das férias.... E já agora tenha mais respeito pelas sras do bar e refeitórios. Quando quiser vão lá segurar as bandejas, bordar as almofadas, aturar os passageiros e não pedem nada por isso. Só pisar o chão dos aviões onde se calhar nunca entraram por falta de dinheiro, já é suficiente.
Ass: Alguém que ganha menos que você

Anónimo disse...

Publique o meu comentário anterior sff. De outra forma o que escreveu para mim vale ZERO.
Ass: Alguém que ganha menos que você.

Anónimo disse...

Gostava que o amuadinho lesse isto e que fosse humilde o suficiente para ir ao mesmo canal pedir desculpas pelas palavras ofensivas.
A nossa profissão é incompreendida por muita gente. E este senhor devia estar mesmo a precisar de um pouco de atenção... :)

Devias estar ao lado dele quando ele abriu a boca.

Barroks

José Bessa disse...

Parabéns Jú pela paciência e pela "categoria" das tuas palavras.

Anónimo disse...

Olá!

Gostei muito do que escreveu e, na verdade, veste a camisola e é isso que realmente faz a diferença. Vou ser muito sincera: não concordo com 2 situações: os valores que recebem/ mês - há pessoas a trabalhar em empresas e que também não acompanham uma data de coisas na vida dos filhos, por stress, porque saem de sol a sol e porque simplesmente têm uma vida de "cão".
2º aspecto - quando as mulheres hospedeiras engravidam não trabalham a partir do 1º segundo em que submetem os papéis na secretária. Acha isto verdadeiramente justo? tudo bem que apenas recebem o base, mas não existe qualquer implicação no trabalho, não existe o "medo" de perder as anteriores funções. Parece-lhe bem pagares a muitas empresas de outsourcing para fazerem trabalho de hospedeiras de terra quando há um sem número que engravida sem parar e está, às vezes, 3 anos sem pôr os pés na empresa?

De resto, parabéns pelo que escreveu.

Mafalda Pereira

Anónimo disse...

Caro(a) "alguém que ganha menos que você",

pois se não conhece o Sr. Arnaut, deveria, já que se trata de um dos que lhe andam a roubar dinheiro e direitos todo o santíssimo dia. Mas apesar disso não ser do seu interesse, deu para perceber que está bem informado(a) acerca de outras coisas.

Mas pronto......cada um interessa-se por aquilo que lhe convém. Por isso, parece que apenas retirou deste post aquilo que não interessa rigorosamente nada, já que ele, em nenhuma das suas partes tem como objetivo denegrir ou desrespeitar nenhuma profissão nem nenhuma entidade.....Tem sim o intuito de passar uma mensagem, muito importante por sinal...há que ler nas entrelinhas e perceber, no geral, o que o texto, em tom de ironia, tem de essencial. Enfim......compreendo que não chegue a toda a gente...

Cpts, Tânia

Rui Santos disse...

Concordo totalmente com o que escreve a Mafalda Pereira!
É certo que, por questões de segurança, uma hospedeira grávida não pode voar! mas não trabalhar de todo?! é chocante....!

Anónimo disse...

Boa tarde,

Quem acha ou faz com que uma mulher grávida se submeta a pressões dentro de aviões, carregue malas, trolleys ( são os carrinhos da comida e bebida), contentores e se exponha a stress de vôo ( vejam as estatisticas) só pode ser besta, parvo, estupido ou Arnaut.

Anónimo disse...

Não sou a favor da subsidiodependência. Muito pelo contrário, e tenho noção que quando não há dinheiro, não há palhaços. Mas acho que não trabalhar ao engravidar é um exemplo que deveria ser estensivo a todas as profissões. A (falta de) natalidade é o maior problema que vamos (já estamos a) enfrentar a curto prazo. E acho que uma profissional de uma disciplina não tem que receber formação para trabalhar noutra diferente por estar grávida. A natalidade tem que ser a maior prioridade do país. E só não o é porque os resultados aparecem a médio-longo prazo e os governos têm 4 anos.
Parabéns Ju!

Anónimo disse...

Antes de tudo os meus cumprimentos ao administrador do Blogue pela publicação do contraditório.
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Cara "Cpts", (seja lá o que isso for) Tânia.
Pois é. Estar bem informado INCOMODA.
Consegue não responder a nenhum dos meus argumentos, que são todos objetivos e estão nas "linhas" e dizer que o importante é aquilo que não está escrito, as chamadas "entrelinhas". Minhas cara, o conteúdo de "entrelinhas" é aquilo que cada um quiser que seja. A mesma frase pode ter diversas interpretações. Mas enfim .... nem toda a gente percebe isto.
Ass: "Alguém que ganha menos que você"

Keke na cozinha disse...

Boa tarde! Sou assistente de bordo também, não da TAP, mas da EasyJet! Devo confessar que estava a gostar do que estava a ler, do seu amor á camisola e á profissão! Concordo plenamente quando diz que os passageiros acham que a principal característica do nosso emprego é servir cafés (nada contra quem os faz)! Costumo dizer que estou ali para garantir que o seu rabinho chegue são e salvo ao destino final, e se acham o contrario, é porque felizmente e graças a alguém nunca tiveram que precisar que lhes salvem o coiro!
Contudo ha certos aspectos que não concordo, e como ainda vivemos numa época em que a liberdade de expressão ainda não paga imposto, acho que é legitimo todos a poderem partilhar! Posso começar pelo monopólio do recrutamento da TAP! É mais que sabido que o factor C é uma característica fundamental no processo de selecção! Pode já não ser tanto, mas que o foi, foi! E não estou a dizer isto com dor de cotovelo de ter concorrido e não ter entrado! Estou muito bem na companhia que estou! Não digo que é perfeita, porque como em qualquer empresa á aspectos a melhorar!
Quando fala em privatizar a TAP, e porque não!? A meu ver é medo de certas pessoas perderem o seu denominado tacho!Mas so no assunto privatizar a Tap tinhamos pano para mangas para falar!
Tirando isto, gostei do seu amor á profissão! Infelizmente anda muita gente que vem para este emprego porque não encontra nada na sua área, trabalha se poucos dias ao mês e ganha se relativamente bem!
Boa noite e bons voos!

Piscarudas disse...

Caro anónimo, acredito que 'cpts' queira dizer 'cumprimentos'. Calma! ;)

Estimada Keke, igualmente grata pelo seu contributo. E olá colega! ;) sabemos que realmente diferente companhias ofereçam diferentes condições de trabalho, eu, como deixo claro, tambem me sinto satisfeita com a minha. Em relação ao seu reparo do facto C, tenho que admitir que duvido que haja algum cargo, profissão, estatuto em que essa colher nao entre. Mas contra isso, é difícil. Se sou a favor? Nao, com toda a minha convicção. E digo isto por um motivo simples, eu entrei sozinha e pelo meu pe, e muitos houve que nunca acreditaram nisso. E outros tantos que escarafuncharam consideravelmente por achar esse primo que nunca existiu. Venci pelo cansaço. Dai o meu orgulho em estar nos 32 de mais de 6000. Vinha eu toda pomposa e afinal não é nada de mais... Oh diabo! E referi isso: o recrutamento é duro, é mesmo duro. Duro de nos dar cabo de trapézio tal é a camada de nervos... À segunda consegui. E garantidamente que quem nao lá vai é quem nunca vai saber se consegue. Bons voos! ;)

PAUL(inh)O disse...

Realmente nós assistentes de bordo, sejamos TAP ou qualquer outra que voa ou tem uma base em Portugal( entre outras coisas somos a primeira imagem transmitida a alguns bons milhões de turistas, responsáveis direta e indiretamente por 12% do PIB deste país) só sabemos mesmo servir cafés e vender duty free... Ainda assim, e economias à parte, fomos nós (assistentes) que em S. Francisco evacuamos um avião em chamas (o pessoal técnico deu uma ajuda tremenda...será que sabem como é abrir uma porta de um 777 com um slide pronto a abrir e uma multidão a empurrar-nos?), ou no Hudson tirámos todos os passageiros do avião (Deus nos livre a todos os colegas de o termos de fazer alguma vez). Saberá realmente o Sr Arnaut onde está o seu colete salva vidas e quando o abrir, ou onde está a saída mais próxima? Tenho as minhas duvidas, afinal a demosntração de segurança não passa de um filme e no caso das low cost de uma cambada de malabaristas a fazer gestos...

Anónimo disse...

Bom dia,

nunca pensei que a abreviatura de uma despedida cordial pudesse causar tanta impressão.

As pessoas podem e devem estar bem informadas, não me incomoda nada. O que me incomoda e não saberem, e nem estarem interessados em saber, quem é o Sr. Arnaut.

Não sou assistente de bordo, não poderei responder a nenhuns "argumentos" mas creio que a ADENDA talvez possa esclarecer alguns pontos importantes. Eu percebo perfeitamente a sua interpretação das frases e das "entrelinhas".....a sua assinatura fala por si....

Cumprimentos (para que não existam dúvidas), Tânia