sexta-feira, 7 de setembro de 2012

pérolas publicitárias

estava eu, há dias, entre a Bimby e a minha sopinha do jantar, quanto paro para esmiuçar um anúncio que passava na televisão. Era um anúncio da Cofidis, a enaltecer a bela ideia da fulana y em ter feito um crédito da marca para comprar um home cinema. Ora, uma excelente ideia não haja dúvida. A minha primeira reacção foi virar-me para o meu marido e perguntar "mas que tipo de pessoa faz um crédito para comprar uma porcaria de um home cinema!?". A resposta certa? Muitas. Mas depois o endividamento das famílias é sempre justificável por outra coisa qualquer. Há crise? Há, não dá para fugir a ela, mas na minha [muito humilde e leiga] opinião essa não é a exímia justificação para o buraco onde as pessoas se metem. Certo é que como a fulana y, há muitos, que se enterram até ao pescoço por uma questão opções. Falava-se no despoletar da crise que um dos principais motivos para o endividamento era a habitação própria, o "comprar" em detrimento do "arrendar". Para mim fazer um crédito para comprar uma casa é uma realidade: quem é que hoje consegue comprar uma casa a pronto? Conheço quem o tenha feito, e sei que lhes saí do pêlo [e por eles muito me orgulho]. Depois temos também os felizes acasos, os bons casamentos, e as heranças. Mas para qualquer comum mortal, como eu e a maioria dos que nos lêem, comprar uma casa, um carro não é um investimento pago ao balcão. até aqui, estamos de acordo. Se bem que eu faço uma severa reacção alérgica a qualquer tipo de empréstimo, verdade seja dita. Fiz um em toda a minha vida e reduzi-o ao mínimo de tempo possível. Serei eu a única a não querer levar 50 anos a pagar juros a quem me empresta uns trocos? É que não é preciso muita matemática [e eu sou de letras] para fazer as continhas e ver que pedidos 100, pagamos 200. Mas depois conheço também muita gente que não pensa assim. Pensar pensa, mas em grande. A televisão tem que ser grande. O carro tem que ser potente, ou novo, ou amarelo, ou coisa que o valha. E por aí em diante. Chega-se facilmente à conclusão que, para qualquer merda [perdoem o meu francês] se pede dinheiro emprestado. E por um bem que, não sendo de primeira necessidade [desconfio que nem de segunda], qualquer pessoa paga em prestações, porque compra a contar com o dinheiro que já não tem. Agradeço à minha cabecinha ou a quem me educou a felicidade de nunca ter pensado assim. Nunca fui, embora me pintassem nesse quadro. Podia ter mais malas e sapatos, o dobro da roupa e outras tantas coisas que eu gostava de ter? Podia. Mas ao invés disso escolhi a minha liberdade financeira, e um estilo de vida, não desafogado, mas confortável que me permita gerir a minha casa sem trocos contados ao dia 20. Tenho a vida para a qual trabalho e não o contrário, e gosto de ter presente a sensação de não dever nada a ninguém. Nada contra quem precisa de recorrer a este tipo de serviço, há de facto muita gente que passa, por falta de oportunidades de trabalho essencialmente, por privações muito sérias, mas não é para esses que falo. Quem escolhe viver a crédito que o faça, que é livre de o fazer [a Cofidis vive disso], mas que o faça por motivos maiores, para uma casa que será património, ou para a formação que sabemos que sai cara da primeira classe à universidade, são tudo investimentos com retorno. Agora, para comprar quinquilharia? Tenham dó. Ou não tenham. Mas pelo amor de Deus não se venham chorar aos meus ouvidos...

Ju*

Sem comentários: